VALIDAÇÃO

O PODER DE VALIDAÇÃO ( Stephen Kanitz)

Todo mundo é inseguro, sem exceção. Os superconfiantes simplesmente disfarçam melhor. Não escapam pais, professores, líderes, nem colegas de trabalho. Afinal, ninguém é de ferro. Hebe Camargo treme nas bases os primeiros minutos de cada apresentação, mesmo que o programa já tenha sido apresentado por ela inúmeras vezes. Só depois da primeira risada, da primeira reação do público, é que o artista relaxa e parte tranqüilo para o resto do espetáculo. Insegurança é o problema humano número 1. O mundo seria muito menos neurótico, louco e agitado se fôssemos todos um pouco menos inseguros. Trabalharíamos menos, curtiríamos mais a vida, levaríamos a vida mais na esportiva. Mas como reduzir essa insegurança?

Alguns acreditam que estudando mais, ganhando mais, trabalhando mais resolveriam o problema. Ledo engano, por uma simples razão: segurança não depende da gente, depende dos outros. Está totalmente fora de nosso controle. Por isso segurança nunca é conquistada definitivamente, ela é sempre temporária, efêmera.

Segurança depende de um processo que chamo de “validação”, embora para os estatísticos o significado seja outro. Validação estatística significa certificar-se de que um dado ou informação é verdadeiro, mas eu uso esse termo para seres humanos. Validar alguém seria confirmar que essa pessoa existe, que ela é real, verdadeira, que ela tem valor.

Todos nós precisamos ser validados pelos outros, constantemente. Alguém tem de dizer que você é bonito ou bonita, por mais bonita ou bonito que você seja. O autoconhecimento, tão decantado por filósofos, não resolve o problema. Ninguém pode autoavaliar-se, por definição.

Você sempre será um ninguém, a não ser que os outros o validam como alguém. Validar o outro significa confirmá-lo, como dizer: “você tem significado para mim”. Validar é o que um namorado ou namorada faz quando lhe diz: “gosto de você pelo que é”. Quem validou a frase “Ao lado de um grande homem existe uma grande mulher” e (vice-versa) provavelmente estava pensando nesse poder de avaliação que só uma companheira amorosa e presente no dia-a-dia poderá dar.

Um simples olhar, um sorriso, um singelo elogio são suficientes para você validar todo mundo. Estamos tão preocupados com a própria insegurança que não temos tempo para sair validando os outros. Estamos tão preocupados em mostrar que somos o “máximo” que esquecemos de dizer a nossos amigos, filhos e cônjuges que o “máximo” são eles. Puxamos o saco de quem não gostamos, esquecemos de validar aqueles que admiramos.

Por falta de validação, criamos um mundo consumista, onde se valoriza o ter e não o ser. Por falta de validação, criamos um mundo onde todos querem mostrar-se ou dominar os outros em busca do poder.

Validação permite que pessoas sejam aceitas pelo que realmente são, e não pelo que gostaríamos que fossem. Mas, justamente graças à validação, elas começarão a acreditar em si mesmas e crescerão para ser o que queremos.

Se quisermos tornar o mundo menos inseguro e melhor, precisaremos treinar e exercitar uma nova competência: validar alguém todo dia.

Um elogio certo, um sorriso, os parabéns na hora certa, uma salva de palmas, um beijo, um abraço, um “valeu, amigo(a), valeu”.

Você já validou alguém hoje? Então comece já, por mais inseguro que você esteja.

Que o ano de 2012 seja repleto de validações, sucesso, saúde e paz para todos os nossos clientes, fornecedores, amigos, colaboradores, cooperados e diretores

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